Relação homem-técnica e o uso da
matemática
Em se tratando de disciplina presente no
currículo obrigatório em toda a vida escolar do estudando, a matemática é vista
como uma das matérias mais difíceis, ao mesmo tempo em que esses mesmos
indivíduos ficam se questionando: “Para que vou usar isto?”, “Em que este
cálculo vai contribuir para a minha vida?”, entre tantos outros
questionamentos. Em meio a tantas indagações, não se dão conta de que todos
fazem uso da matemática no seu cotidiano, seja em casa, na escola, no trabalho,
no supermercado, no esporte. Um exemplo disso é uma partida de futebol: durante
o transcorrer de uma partida, o torcedor não se dá conta, mas está calculando o
tempo todo. Seja os minutos decorridos, os que faltam, a quantidade de
jogadores, a probabilidade de sucesso ou fracasso nesta partida, sua colocação
na tabela do campeonato. Até a estratégia de ataque escolhida pelo técnico
resulta de estudos matemáticos. Nesse exato momento, o estudante, agora mero
torcedor, esquece-se do quanto acha a matemática uma disciplina difícil e pouca
aplicabilidade. Neste exato momento, ele está utilizando, sem saber, de todo o
seu aprendizado adquirido em sua trajetória escolar, sem que lhe pareça no
mínimo chata. Suas conclusões acerca do seu time passam longe de cálculos sem
sentido ou difíceis.
Assim são as inúmeras situações que encontramos
no nosso dia-a-dia: no supermercado, ao visualizar os preços dos produtos,
mentalmente estamos realizando cálculos matemáticos que nos dão condição de
saber antecipadamente se teremos dinheiro suficiente para adquirir o produto
desejado. Mesmo quando vamos atravessar uma rua movimentada, olhamos para o
outro lado da rua, olhamos para as duas vias da rua para visualizarmos quantos
carros e qual a distância que estão e calculamos qual a velocidade e se é possível
realizar a travessia nesse momento. Outro exemplo simples e comum à todos é o
controle do saldo bancário, costumamos dizer que estamos “negativos” no banco,
através de contas mentais e geralmente com baixa margem de erro. São situações
tão corriqueiras e tão rápidas que não nos damos conta da complexidade que essa
ação exige da parte lógica de nosso cérebro, situações que exigem o raciocínio
matemático como adição, subtração, divisão e multiplicação.
Diante de tudo isso, não se pode estar alheio
as transformações que a inclusão da tecnologia em nossas vidas trouxe: porém,
segundo alguns posicionamentos de professores, o importante é entender o
conceito e o raciocínio por trás de cada situação. Em outras palavras, o uso da
calculadora em sala de aula não pode mais ser visto como um problema. É lógico
que para que o aluno tenha autonomia para o uso desta tecnologia, é necessário
que ele já tenha passado por todo o processo de aprendizagem, que compreenda o
raciocínio utilizado para que a calculadora apresente o resultado correto.
Se observarmos em nosso dia-a-dia, veremos a
curiosa figura do cobrador de ônibus, este profissional trabalha diariamente
com o auxílio do pensamento rápido e lógico para o desempenho de sua atividade.
Em um ambiente tumultuado, atende muitas pessoas durante o dia, ao mesmo tempo
em que tem que realizar contas simples de soma e subtração com rapidez e
precisão. A rapidez com que o passageiro deve ser atendido, não permite ao
cobrador, o uso de uma calculadora para a formação do troco. Por outro lado, a
tecnologia do cartão magnético como passe eletrônico junto a catraca do ônibus,
foi uma conquista de segurança e agilidade para este profissional. A
necessidade do uso da matemática continua inerente à ele, porém, ela acaba
sendo realmente necessária quando ele tem que fechar o valor do seu recebimento
no final do expediente. Neste caso, com a tecnologia, não há como ocorrerem
erros nesse cálculo.
Neste sentido, é primordial destacarmos que a
tecnologia é um ferramental no qual devemos nos apoiar para que nossas vidas se
tornem mais prazerosas e que tenhamos mais tempo para construir relacionamentos mais duradouros e capazes de
nos ajudar a nos tornarmos seres mais completos física e espiritualmente, não
sendo em si um fim.
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